200 ANOS COM ALLAN KARDEC

  A doença do coração que o minava surdamente, pôs fim á sua robusta constituição e, como uma raio, o arrebatou ao carinho dos seus discípulos. Essa perda foi enorme para o Espiritismo, que via partir o seu fundador e mais poderoso propagandista, e submergiu em profunda consternação todos aqueles que o haviam conhecido e amado.

  Hippolyte-Leon-Denizard-Rivail - Allan Kardec – desencarnou em Paris, no dia 31 de Março de 1869, com 65 anos de idade, sucumbido pela ruptura de um aneurisma.

  Unânimes sentimentos receberam essa dolorosa notícia, daquele que, através dos tempos, refulgira como meteoro esplendente na aurora do Espiritismo.

  Quatro orações proferiram-se à borda do túmulo do Mestre: a primeira pelo Sr. Levent, em nome de Sociedade Espírita de Paris; a segunda, feita pelo Sr. Camilo Flam Marion, em seguida o Sr. Alexandre Delanne, em nome dos espíritas dos centros afastados; e depois o Sr. E. Muller, em nome da família e amigos.

  “Para que relatar os pormenores de sua morte? Que importa a maneira pela qual se quebrou o instrumento, e por que dedicar uma linha a esses fragmentos de ora em diante mergulhados no turbilhão imenso das moléculas? Allan Kardec desencarnou na sua hora própria. Findou-se com ele o prólogo de uma religião vivaz, que irradiando todos os dias, breve terá iluminado toda a humanidade. Esta morte, que passará indiferente aos olhos do vulgo, não deixa de ser, apesar disso, um grande acontecimento para a humanidade. Não é apenas o sepulcro de um homem, é a pedra tumular enchendo esse imenso vazio que o materialismo havia cavado aos nossos pés e sobre o qual o Espiritismo espalha as flores da esperança”.

  A caridade verdadeiramente cristã de Allan Kardec; pode-se dizer dele que a mão esquerda ignorou sempre o bem que fazia a direita, e que esta, ainda, menos conheceu os botes que sobre a outra atiravam aqueles para os quais o reconhecimento é fardo excessivamente pesado; Cartas anônimas, insultos, traições, difamações sistemáticas, nada se poupou a esse intimorato lutador, a essa alma excelsa e varonil que adentrou integralmente a imortalidade.

  Os restos mortais de Allan Kardec repousam no Pere Lachaise, em Paris, debaixo de modesta lápide erigida pela piedade dos seus discípulos; neste local é que se reúnem todos os anos, desde 1869, os adeptos que guardaram fidelidade à memória do Mestre e trazem preciosamente no coração o culto da saudade.

  É visto como análogo sentido hoje nos reúne, repitamos bem alto, minhas senhoras, meus senhores: Honra ! Honra e Glória a Allan Kardec.

( texto extraído da biografia de Allan Kardec por Henri Sausse )